Pesadelo e Terror Noturno, sonambulismo nas crianças

Durante o sono da criança, podem ocorrer manifestações denominadas “parassônias”, que são movimentos e/ou comportamentos que representam fenômenos físicos decorrentes da ativação do sistema nervoso central, e como repercussão observa-se um sono interrompido. As principais parassônias na criança são: despertar confusional, terror noturno, sonambulismo e pesadelos.
Tais comportamentos durante o sono são principalmente ligados ao desenvolvimento e de acordo com a expressão e frequência, necessitam de recomendações médicas específicas. Se forem repetitivos ou pertubadores da dinâmica familiar, torna-se importante a avaliação do paciente por especialista na área de sono. Em última instância, será necessária a utilização de medicamentos. É fundamental a orientação dos familiares sobre tais comportamentos e como melhor abordá-los.
Despertares Confusionais
Os despertares confusionais ocorrem principalmente na criança pequena, e manifestam-se por movimentos de debater-se associados ao choro inconsolável, e geralmente acompanhados de intensa sudorese.

Terror Noturno

O terror noturno acomete 3% das crianças e tem um importante componente familiar. Ocorre com maior freqüência entre 5 e 7 anos de idade. A ocorrência diminui com a idade, sendo que menos de 1% dos adultos apresentam este distúrbio do sono. Caracteriza-se por um comportamento durante o sono, onde a criança senta-se na cama com expressão de medo em seu rosto, com aumento taquicardia cardíaca, respirando rapidamente e com muita sudorese. Os ataques duram de 30 segundos a 5 minutos, sendo raramente mais longos. As crianças voltam a dormir em seguida, sendo que não se recordam do fato ocorrido na manhã seguinte. Alguns episódios podem estar relacionados com estado febril. Tais ataques de terror noturno tendem a ocorrer no início da noite, fato que pode ajudar na diferenciação com pesadelos que ocorrem na final da noite de sono.

Sonambulismo

O sonambulismo consiste em episódios recorrentes de comportamento do tipo levantar-se da cama e perambular pelo quarto, podendo ocorrer o despertar. Como ocorre no terror noturno, a criança não se lembra do episódio sonâmbulo na manhã seguinte. São necessários cuidados para evitar acidentes. Predisposição familiar também tem sido apontada para o sonambulismo, sendo descrito percentual de 80% dos sonâmbulos com história familiar de terror noturno ou sonambulismo.
É comum nas crianças, com porcentagens de 15 a 30% de crianças saudáveis com história de pelo menos um episódio de sonambulismo, e 3 a 4% das crianças com história de episódios repetitivos. A idade de início é em torno de 5 anos, com pico de ocorrência na adolescência. Nos adultos é descrita prevalência de 1%, sendo incomum após a sexta década de vida.

As três formas de parassônias acima descritas ocorrem durante o sono delta (sono de ondas lentas) e não se deve acordar o indivíduo, uma vez que, tal ação pode prolongar o episódio de parassônia.

Pesadelos

Os pesadelos são parassônias do sono REM ( a fase do sono que “sonhamos”). Consistem em sonhos com conteúdo emocional ocorrendo aumento da freqüência cardíaca e respiratória, sudorese, sendo finalizado geralmente com um despertar e lembrança do contexto sonhado. Não é rara a queixa de dificuldade para retornar a dormir devido ao conteúdo emocional do sonho. São mais prevalentes e frequentes nas crianças. Há dados indicando que 20 a 30 % das crianças entre 5 a 12 anos de idade têm um pesadelo a cada 6 meses. Há estudos que sugerem relação entre a alta frequência de pesadelos em adolescentes e adultos com possíveis psiquiátricas e outros que não confirmaram tal correlação. Os pesadelos podem ocorrer na mesma noite em que a criança apresenta terror noturno ou episódio de sonambulismo.

Fonte: Sociedade Brasileira de Sono